domingo, 31 de maio de 2020

As Noites Escuras

A noite era sempre mais difícil, é quando os demónios te atacam com suas palavras de solidão, desespero e verdade.
A Cláudia estava certa eu escondia um vazio de muitos anos com sexo, não queria estar sozinha a noite onde os pesadelos e as palavras doíam, onde o abandono era evidente, onde não existia ninguém.

Depois daqueles dia as noites eram lágrimas, depois das lágrimas os pesadelos, sempre com o mesmo tema, alguém de deixava no meio de um penhasco, e o único caminho a tomar era em frente caindo no abismo, que eu caia sempre e acordava sobressaltada. Aprendi após uma noite de bebedeira da faculdade onde entreguei a minha virgindade a um estranho qualquer que nunca voltei a ver, que se apanhar uma bebedeira os pesadelos param, ou talvez não parem, mas não me lembro de nada devido a ressaca, e os meus anos de faculdade foram bastante turbulentos, saídas todas as noites, e na cama de alguém de manhã, sem me lembrar de nada, tentava sair sempre antes de seja quem for acordasse, e nunca me lembrava de nada.

Numa dessas noites de farra conheci a Cláudia, pelos vistos essa noite estava já bastante bêbeda e quem estava a levar-me para casa não era de confiança, a Cláudia estava em duas das minhas cadeiras da faculdade, e "salvou-me", pediu ajuda a dois amigos, que la me conseguiram tirar das garras do mau, por assim dizer, e me levar para casa dela, foi a primeira manhã que acordei na casa de uma rapariga e pensei que me tinha tornado lésbica sem saber, sim porque não me lembrava de nada, e estava de roupa interior, até ela entrar no quarto com o pequeno almoço e me dar um raspanete digno de mãe, e no final uma aspirina para as dores de cabeça.

A partir dai, ganhei uma sombra e uma melhor amiga, as bebedeiras acabaram, mas as saídas e o sexo não, simplesmente agora existiam regras, passava a noite de sexo e vinha embora mal acabava o que era quase quase de manhã, não que fosse uma ninfomaníaca, mas enquanto estava "ocupada" não dormia e esta a correr tudo bem, como passava a noite ocupada, não tinha pesadelos, mas também não dormia muito, o que nem sempre era bom para o meu corpo, mas quando o cansaço chegava o cérebro já estava tão cansado que quando dormia devia de sonhar porque acordava suada, mas não me lembrava de nada.

E apesar de hoje em dia ser ligeiramente diferente, não dormir com um homem diferente todas as noites, as regras mantém-se, simplesmente com 1 só, até eles ficarem lamechas.
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Mais uma noite bem passada, não me interessava se são pequenos ou grandes, eu tenho uma boa imaginação para durar a noite toda só tem de conseguir acompanhar o ritmo.
Pouco antes das 5 da manhã já me estava a preparar para ir embora, e olhei bem para quem em tinha acompanhado durante a noite, bem não era mau, músculos nos sítios certos, nada demais, aqueles abdominais definidos como se fosse correr todos os dias, mas não os enormes de ginásio, pernas torneadas, um bronzeado natural, e acho que ele tinha olhos azuis, lembro disso porque ele olhava intensamente nos meus olhos, sempre que descia para me preparar para tudo que fizemos e não foram poucas as vezes que fez isso, só de pensar deu vontade de outra ronda, mas tinha de ir embora, já tinha ficado tempo demais, e tinha reunião de trabalho às 9 horas, vi o cabelo preto que caia pela cara se mexer quando ele se virou de barriga para cima, o lençol a escorregar pelo corpo e mostrar o membro dele em sentido, sorri, parece que ele estava preparado para uma manhã de "exercício", mas tinha mesmo de ir embora.
Arranjei um bloco de post-it de andava sempre comigo e escrevi:
- Quando quiseres retomar onde ficamos liga-me: 95......, Cátia.
E sai porta fora, chamando um Uber.